Responsabilidade
Social
É o reconhecimento e assunção
pelos cidadãos, individualmente e
em conjunto, dos seus deveres para com a
comunidade em que vivem e a sociedade em
geral. Este conceito se fundamenta no princípio
de que, em maior ou menor grau, as ações
individuais sempre têm algum impacto
(positivo ou negativo) na vida dos demais
cidadãos e da coletividade. Assim,
a Responsabilidade Social concretiza-se
por meio da adoção de atitudes,
comportamentos e práticas positivas
e construtivas, que contribuam para o bem-comum
e a melhoria da qualidade de vida de todos.
Quando aplicado em relação
às empresas, a expressão é
empregada como sinônimo de Responsabilidade
Social Corporativa ou Empresarial.
Responsabilidade
Social Corporativa (RSC)
Também é chamada
de Cidadania Empresarial ou Responsabilidade
Social Empresarial (RSE). É o reconhecimento
e assunção, pelas empresas
e por seus atores-chave (proprietários
ou controladores, demais acionistas, dirigentes,
gestores e outros empregados) dos seus deveres
em relação à comunidade
em que atuam e à sociedade em geral.
Este conceito fundamenta-se em dois pressupostos.
O primeiro está associado ao fato
de que as decisões e os resultados
das atividades empresariais alcançam
e impactam um universo muito mais amplo
do que o composto por seus proprietários,
acionistas e gestores. Assim, a RSC enfatiza
o impacto das atividades empresariais em
relação a todos os agentes
com que interagem, direta ou indiretamente:
empregados e seus familiares, fornecedores,
consumidores, investidores, colaboradores,
competidores, governos e comunidades.
O segundo pressuposto relaciona-se ao fato
de que as questões de direitos humanos
e de cidadania são de natureza pública:
dizem respeito a todos os cidadãos;
e não, apenas, ao governo. Portanto,
criar soluções para os problemas
prevalentes nessas áreas não
é atribuição exclusiva
do governo. É dever de toda a sociedade,
incluindo empresários e os três
níveis de governo. É por compreender
e aceitar esse princípio que crescente
número de empresas vêm atuando
no Terceiro Setor, sobretudo nas áreas
de educação, saúde
e preservação ambiental. Há
empresas que apóiam projetos executados
por organizações não-governamentais
(ONGs); outras preferem fundar suas próprias
ONGs, fundações ou institutos.
A RSC, contudo, não se confunde com
a filantropia ou benemerência, que
prevaleciam na área social. Seu conceito
refere-se às estratégias de
sustentabilidade a longo prazo das empresas
– que, em sua lógica de perfomance
e lucro, passam a contemplar a preocupação
com os efeitos sociais e/ou ambientais de
suas atividades e o objetivo de contribuir
para o bem-comum e a melhoria da qualidade
de vida das populações. Assim,
a RSC expressa compromissos muito mais amplos
do que aqueles previstos em lei (obrigações
trabalhistas, tributárias e sociais;
cumprimento das legislações
ambiental e de usos dos recursos naturais,
etc.). Expressa, sobretudo, a adoção
e disseminação de valores,
atitudes, comportamentos e procedimentos
mais positivos dos pontos-de-vista ético,
social e ambiental.
Além da contribuição
ao desenvolvimento humano, as ações
empresariais na área social oferecem
retornos tangíveis e intangíveis,
sob a forma de fatores que agregam valor,
reduzem custos e trazem aumento da competitividade.
Entre esses fatores, destacam-se: melhoria
da imagem corporativa; criação
de ambientes endógeno e exógeno
mais favoráveis; redução
do absenteísmo e elevação
da auto-estima dos empregados; estímulos
para melhoria dos processos de produção;
incremento na demanda por produtos, serviços
e marcas; ganhos de participação
no mercado; e redução da instabilidade
política, social e institucional
locais. Por tudo isso, a cada dia, a atuação
do setor privado na área social torna-se
questão estratégica para a
sustentabilidade das empresas, frente aos
olhos exigentes dos consumidores, investidores,
fornecedores, acionistas e funcionários.
Como ressaltou Guilherme Bettencourt, PRESIDENTES
da Xerox do Brasil: “Atualmente, para
as empresas, aplicar no Terceiro Setor é
investir em seu próprio futuro”.
Tecnologia
Social (clique
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Esta expressão refere-se
aos métodos, técnicas, processos
e instrumentos de atuação
no mercado social, caracterizando-se pela
possibilidade de replicação
em contextos e/ou junto a segmentos socioeconômicos
e culturais semelhantes. São exemplos
de tecnologias sociais: os sistemas de informação
para a monitoria e gestão de projetos;
a terapia de reidratação oral
(TRO), aplicada ao tratamento das diarréias
e desidratação; e o projeto
Mãe-Canguru, que substituir com vantagens
o uso de incubadoras nos cuidados aos bebês
prematuros e/ou de baixo peso. Os principais
pré-requisitos para a criação
de tecnologias sociais são: Capital
Intelectual (isto é, conhecimento
e informações sobre o problema
a abordar; Capacidade de Realização
(senso de iniciativa, empreendedorismo,
senso de organização); Visão
Estratégica (pensar o problema de
maneira global e a longo prazo); Replicabilidade
(possibilidade de emprego em grande número
de situações semelhantes,
no presente e no futuro próximo);
Disponibilidade de Recursos (materiais e
financeiros mínima- mente necessários,
pois um dos atributos de qualquer tecnologia
social é o ter baixo custo operacional,
o que favorece a sua replicabilidade).
Um projeto ou programa pode manejar uma
ou mais tecnologias sociais em suas ações.
Portanto, as duas expressões não
se confundem. O termo projeto refere-se
ao objeto do fazer (ao que é ou será
feito); a tecnologia social refere-se à
forma, ao modo de fazer. Além disso,
projetos possuem começo, meio e fim.
Podem ter continuidade num certo período;
em algum momento, porém, serão
encerrados, tendo ou não cumprido
seus objetivos e metas. Eles pertencem às
organizações que os criaram
e operacionalizam. A tecnologia social,
ao contrário, não tem prazo
de vigência: vigora enquanto servir
aos objetivos que a geraram e não
for substituída por outra, mais avançada
e eficiente. Ela não pertence, apenas,
ao seu criador ou criadores: de algum modo,
ela acaba sempre se integrando ao saber
social, passando a constituir parte do patrimônio
sociocultural da humanidade.
Merchandising
Social (clique
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No Brasil, chama-se merchandising
social a inserção –
intencional, sistemática e com propósitos
educativos bem definidos - de questões
sociais e mensagens educativas nas tramas
e enredos das telenovelas, minisséries
e outros programas de TV. Deste modo, o
merchandising social constitui uma das mais
criativas e eficazes modalidades de entertainment-education
(edutainment), estratégia de comunicação
para grandes audiências que procura
associar propósitos educacionais
às atividades e programas de entretenimento,
em geral. O edutainment utiliza diferentes
meios e suportes, tais como filmes e vídeos,
músicas, peças de teatro,
dramatizações em rádio
e TV, artes plásticas, revistas em
quadrinhos e outros.
Enquanto estratégia de mudança
de atitudes e adoção de novos
comportamentos, o merchandising social é
instrumento dos mais eficazes, tanto pelas
grandes audiências que atinge quanto
pela maneira lúdica como demonstra
a efetividade das novas condutas disseminadas.
Os resultados alcançados até
o momento confirmam ser esta uma das mais
eficazes, eficientes e efetivas estratégias
de edutainment. As questões sociais
abordadas mostram-se, aos telespectadores,
como parte integrante do enredo das telenovelas
e minisséries, pois aparecem associadas,
de forma positiva e educativa, aos diversos
personagens e conflitos presentes nas diferentes
histórias que se desenvolvem.
Deste modo, esses personagens (e os atores/atrizes
que os encarnam) atuam como porta-vozes
dos conceitos, atitudes e comportamentos
que por seu intermédio são
sendo promovidos. Assim, à simpatia
(ou antipatia) e empatia que os personagens
despertam no grande público, associam-se
a fama, o carisma e a credibilidade dos
atores e atrizes que os representam. Isso
cria, evidentemente, uma situação
bastante propícia para a compreensão,
aceitação e adoção
consciente das novas atitudes, comportamentos
e práticas disseminadas. Criado e
executado pela Comunicarte, em aliança
social estratégica com a Rede Globo
de Televisão, o merchandising social
propicia informações úteis
e práticas a milhões de pessoas
simultaneamente, de maneira clara, objetiva,
problematizadora e lúdica. Desde
que iniciou as atividades nesse campo, em
1990, a Comunicarte já atuou junto
à produção de 72 telenovelas
minisséries, totalizando mais de
9.500 horas de programação.
Estima-se que tenha influído, diretamente,
em mais de 8.000 cenas educativas sobre
sexualidade e saúde reprodutiva,
relações de gênero,
direitos dos idosos, crianças e adolescentes,
educação, protagonismo juvenil,
prevenção às drogas,
preservação ambiental e promoção
ao voluntariado social, entre muitos outros
temas.
Gestão
Social
É o processo de gerência
e administração dos projetos
ou programas sociais. Baseia-se num fluxo
contínuo, organizado e sistematizado
de informações entre os diversos
setores e níveis de atuação.
Assim, todos os atores intervenientes nas
ações mantêm-se informados
a respeito dos objetivos, realizações,
êxitos e fracassos do projeto. Para
ser eficaz, o fluxo de informações
deve se desenvolver numa relação
de reciprocidade, constituindo um processo
permanente de estímulo-resposta intra
e inter-setorial - comumente, hierarquizado.
O processo de gestão envolve variados
métodos e instrumentos de monitoria,
diagnóstico, análise e tomada
de decisão, nas áreas de planejamento,
coordenação inter-setorial,
implementação, supervisão
e avaliação. Os objetivos
de gestão sempre se relacionam à
eficácia, eficiência e efetividade
das ações. Quanto à
sua natureza, há gestores que elegem
modelos descentralizados e mais participativos;
outros preferem os modelos mais centralizados
e impositivos. Os requisitos essenciais
da gestão social, contudo, são
a transparência e os resultados.
Consumo
Consciente
Consumir conscientemente ou ser
um(a) consumidor(a) consciente, é
fazer do ato de consumo um ato de cidadania,
ao considerar o impacto da compra e do uso
de produtos e serviços sobre a sociedade
e o meio ambiente. O consumo consciente
é, portanto, um processo de transformação
cultural pelo qual se procura estimular
os cidadãos a satisfazer suas necessidades,
expectativas e desejos de consumo sem, contudo,
gerar impactos negativos para a comunidade,
a sociedade em geral e o meio ambiente.
No Brasil, a organização líder
do movimento pelo consumo consciente é
o Instituto AKATU (Cf.: www.akatu.org.br).
Segundo ele, o consumo consciente se concretiza
pela implementação de três
ações, os três "R":
Reduzir: Reduzir o lixo em nossas casas.
Isso implica reduzir o consumo de tudo o
que não é realmente necessário.
Significa rejeitar os produtos com embalagens
plásticas ou de isopor, optando pelas
de papelão, que são recicláveis,
não poluem o ambiente e gastam menos
energia para serem produzidas.
Reutilizar: Reutilizar significa usar um
produto de várias maneiras. Como
exemplo, podemos reutilizar recipientes
de plástico ou vidro para outros
fins, como plantar, fazer brinquedos; ou
até mesmo reutilizar envelopes, colocando
novas etiquetas adesivas sobre os endereços
do remetente e destinatário.
Reciclar: Reciclar é uma maneira
de lidar com o lixo de maneira a reduzir
o seu volume, reutilizando-se tudo o que
for possível – papéis,
papelão, plásticos, vidros,
metais. Este processo consiste em fazer
coisas novas a partir de coisas usadas.
A reciclagem reduz o volume do lixo, contribui
para diminuir a poluição e
a contaminação e facilita
a recuperação natural do meio
ambiente, assim como economiza os materiais
e a energia usada para fabricação
de outros produtos.
Residência
Social
Fundamenta-se no conceito de residência
médica, quando o formando de medicina
tem a oportunidade de aprimorar e consolidar
os conhecimentos adquiridos por meio da
atividade prática supervisionada.
A residência social implica, pois,
que uma parte da formação
ou capacitação do profissional
RESIDENTES se realize no próprio
ambiente em que se desenvolve o projeto
social, propiciando um mergulho profundo
no contexto sócio-econômico,
cultural e ético-político
que o envolve, além do manejo cotidiano
das tecnologias sociais nele implementadas.
Criado pela Comunicarte - Agência
de Responsabilidade Social, o conceito de
residência social pode vir a ter um
impacto altamente positivo no processo de
profissionalização do Terceiro
Setor e, conseqüentemente, na eficácia
e eficiência dos programas de desenvolvimento
humano.